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Vikings

A palavra Viking tem origem no termo Fiorde Vik, que tem relação com o território ocupado por este povo, Viking significa habitante do fiorde Vik. Eles começaram a surgir com o advento dos escandinavos sobre as penínsulas da Jutlântida e Escandinávia. Na península da Escandinávia se encontram atualmente a Noruega, Suécia e Finlândia, na península da Jutlândia está a Dinamarca. Não eram tratados em seu tempo como vikings, eles se auto denominavam nórdicos.

Estas regiões compuseram o início da cultura viking com a mescla entre centenas de povos que, migrando para a Europa, dariam origem a diversos Estados independentes que formariam cultura, idioma e costumes próprios ao longo do tempo.

Os fineses, os teutões e os escandinavos dariam origem ao que tivemos como início da cultura viking. Os fineses se fixaram na região da Finlândia e Norte da Suécia, os teutões deixaram de ser mais conhecidos por razão da grande diversidade de divisões existentes em seu povo. Os teutônicos são formados por saxões, danos, frísios, anglos e jutos, sendo estes últimos responsáveis pela identificação territorial da Jutlândia.

estátua de um guerreiro viking

Devido à origem pelos territórios mais frios, ou por ter se estabelecido com facilidade em regiões frias, presume-se que tenham vindo das regiões ao Norte do planeta, ou o que pode ser mais contundente, que tenham migrado de uma antiga orientação polar norte magnética, tendo se estabelecido nas regiões mencionadas em virtude de uma melhor adaptação à climas frios. Neste sentido, pode ser possível a sua passagem desde o sul da atual Rússia até as penínsulas.

Com o enfraquecimento do império romano, eles se aproveitaram das condições frias existentes nas ilhas da atual Grã-Bretanha, antiga Britânia, para se apoderarem deste território, tendo então pela sua diversidade racial, dado origem aos ingleses.

Parte deste povo que migrou para a Britânia, prosseguiu em direção à Islândia, Groenlândia e teriam atingido a América do Norte cerca de 500 anos antes de Colombo.

Outra corrente viking, tidos como "vikings dinamarqueses", saíram em direção à península Ibérica e chegaram ao Mar Mediterrâneo.

Parte dos Danos, que vieram a ser conhecidos depois como "Vikings Varegues", seguiram em direção ao Leste e teriam iniciado a civilização russa, com o primeiro reino administrado pela sua capital em Kiev. Porém, já não se denominavam como vikings. Os que permaneceram na península da Jutlândia dariam origem aos Dinamarqueses.

A cidade de Oslo (capital da Noruega contemporânea), foi fundada no século VI e nos séculos seguintes teria influenciado significativamente os povos em redor, fazendo desta cidade um centro de domínio.

O sistema de governo era interessante, apesar de monárquico, o rei não exercia influência direta sobre a população, ele administrava as causas de guerra, políticas e econômicas, enquanto que os problemas regionais eram administrados por autarquias administrativas denominadas Althing. Cada povoado possuía uma Althing que era composta por membros selecionados, onde não participavam mulheres, crianças ou prisioneiros de qualquer ordem, sejam escravos, sejam capturados de guerra.

O alfabeto era o rúnico e a pirâmide social era formada pelo rei ao topo do sistema, os karls, homens ricos e senhores de grandes extensões territoriais que não eram necessariamente nobres, não existiam nobres no sistema viking, abaixo deles estavam os jarls, homens comuns da sociedade, sem posses ou com poucas propriedades, pequenos comerciantes ou ainda lavradores. Os homens da classe dos jarls podiam participar das Althings e compunham a grossa parte do exército viking.

Abaixo desta condição social, estavam os thralls, homens que eram capturados em batalhas e condicionados ao trabalho escravo. Mas não eram somente estes que poderiam ser condicionados a esta classe social, os homens que tivessem grandes dívidas, ou criminosos também poderiam compor esta classe e permanecer nesta condição como forma de penalidade pelos atos cometidos.

As famílias vikings eram monogâmicas e se influenciaram gradativamente com o cristianismo, perdendo boa parte de sua raiz cultural. Tinham costumes estabelecidos, como a prática comum de um assento que pertencia somente ao patriarca da família e onde somente ele poderia se assentar. Outra curiosidade era a importância atribuída ao nascimento de cada pessoa, a data se relacionaria ao nome e o nome poderia determinar a personalidade de cada um e o seu caráter.

As principais cidades da Noruega e Dinamarca na Era Viking eram: Oslo, Kaupang, Gokstad, Bergen e Trondheim, na Noruega; e Jelling e Hedeby, na Dinamarca.

exemplo de moradia viking

Em razão de uma tentativa de se resgatar a cultura viking, houve o equívoco de se tentar relacionar o passado com as suas características e com isso, tentaram criar uma figura onde o personagem viking se diferenciava das demais culturas, fazendo uso de um capacete com chifres, ou asas. Isso iniciou em óperas do século XIX e se propagou com facilidade por toda a Europa. Na verdade isso nunca ocorreu, o mais correto é que eles utilizassem sim capacetes, porém cônicos e sem chifres.

Talvez a grande vantagem que os Vikings tenham tido sobre os demais povos da Europa que lhes foram contemporâneos tenha sido a sua alta tecnologia na construção naval. Os Noruegueses e Dinamarqueses desenvolveram no início da Idade Média um tipo de embarcação que só veio a ser superada cerca de seiscentos anos mais tarde pelos Portugueses, com a invenção das Caravelas e Naus (que na época funcionavam, não eram como as de hoje).

As embarcações Vikings eram de dois tipos básicos: as de transporte e comércio; e as de guerra. Ambas tinham em comum o fato de serem longas, estreitas e com quilhas (parte de baixo do navio) que penetravam muito pouco na água.

exemplo de embarcação viking

Sendo assim, elas podiam navegar com estabilidade tanto no mar profundo, quanto em rios rasos, podendo chegar até a praia para que os guerreiros descessem e atacassem o lugar. A supremacia das embarcações Vikings não estava somente na estabilidade, mas também na utilização combinada de remos e velas. Os navios geralmente navegavam com o vento através de velas (foram os primeiros navios da História registrada a usarem o vento como principal fonte de movimento), só utilizavam os remos quando não havia vento.

A religião dos vikings era o Asatrú, ou Vanatrú, mas não possuíam um esclarecimento sobre a origem do mundo como na grande maioria das religiões, eles se reuniam em condições abertas e com livre contato com a natureza, não faziam templos e nem se reuniam em ambientes fechados, na verdade eles se agrupavam em lugares distantes da população, principalmente junto a riachos ou cachoeiras. Odin era o seu deus principal, Vivia montado em seu cavalo negro de oito patas chamado Sleiphir, e seguido por seus dois lobos de estimação: Geri e Freki. Segundo o imaginário Viking, o principal presente de Odin aos homens foi a sabedoria, representada pelo Alfabeto Rúnico, entretanto, Odin teve que fazer um grande sacrifício para poder criar este alfabeto. Sacrifício este que lhe custou o olho direito. Odin era celebrado na quartas-feiras, e por isso, este dia ficou conhecido como Odinsday, que depois, tornou-se em inglês o Wednesday (quarta-feira). O possível análogo de Odin na mitologia Grega é Zeus, por se tratar do deus dos deuses.

A origem do alfabeto se confunde com a religião viking. O alfabeto rúnico tem origem nas runas, onde cada letra é na verdade um símbolo e era gravado em seixos ou em gravetos de árvores frutíferas, chegando a fazer uso do próprio sangue, porque acreditavam que acrescia uma força mágica espiritual. Cada símbolo é sagrado e autônomo representando cada um, uma entidade da mitologia nórdica. Esta relação com o lado espiritual conferiu às runas uma maneira diferenciada de tratar dos fenômenos espirituais, empregando com freqüência o uso de leituras das runas, sincronia com as mesmas, iniciação à pessoas selecionadas ou interessadas, sendo portanto uma organização que não se limitava a um grupo seleto e restrito a um grupo social, esta iniciação espiritual estava condicionada ao interesse de cada um, no que eram então iniciados para a atividade.

caracteres vikings

No início da colonização da Britânia, o alfabeto rúnico continha 28 letras, logo depois estava com 29. No norte da atual Inglaterra já continha 33 letras, mas o verdadeiro alfabeto era o Futhark que continha 24 letras, lidas em três grupos, os aetts, portanto eram cada um com 8 letras que eram lidas da direita para a esquerda (como é lido na maior parte do continente asiático até hoje).

O primeiro "aett" corresponde às Runas: Fehu, Uruz, Thurisaz, Ansuz, Raido, Kano, Gebo e Wunjo e é regido por Freyr e Freyja, divindades da fertilidade e da criatividade.

No segundo grupo de "aetts" é composto por: Hagalaz, Nauthiz, Isa, Jera, Eihwaz, Perth, Algiz e Sowelu. regidas por Hemdal e Mordgud , respectivamente o Deus da proteção pessoal e a Deusa, guardiã das entradas para os mundos subterrâneos.

No terceiro "aett", as Runas são: Teiwaz, Berkana, Ehwaz, Mannaz, Laguz, Inguz, Othila e Dagaz., elas têm a proteção do Deus Tyr e de sua companheira Zisa. São entidades guerreiras que resguardam a autodefesa do individuo.

Um fato diferente foi protagonizado por um personagem, seu nome era Erik e era conhecido como "Erik o vermelho", ou "Erik o ruivo", ele nasceu por volta de 940, na Noruega, viveu e cresceu na região, e por volta de 970, estava no meio de uma discussão na Althing, quando matou um outro notável Norueguês. Ele foi julgado, mas a sua pena não foi a morte, e sim o banimento para a Islândia.

Chegando na Islândia, como era muito rico, Erik logo se tornou o proprietário de uma fazenda, e junto com sua família estava reconstruindo sua vida. Entretanto, por razões desconhecidas, em 980 ele matou outro homem, agora um notável da Islândia. Sua pena foi novamente o banimento, mas não para um lugar definido. Agora ele não podia mais pisar nem na Noruega, nem na Islândia. Ele optou por navegar pelo mar, procurando por novas terras e organizou uma expedição com parte de seus homens.

Em 982, ele encontrou uma terra cheia de rochedos a noroeste da Islândia. Encontrou uma região próspera, que possuía considerável número de florestas abertas, clima favorável e boas condições para moradia, surpreendeu-se com a descoberta e propagou o feito como Gröenland, reunindo os termos green=verde e land=terra, para denominar a região como "Terra Verde".

Pretendeu com isso criar o seu próprio reino e influenciou o maior número de pessoas possível para levá-los ao território recém encontrado. Apesar da facilidade de convívio com o clima frio, era de grande interesse para a maioria o tão sonhado território fértil e próspero, no que esta descrição agradou à muitos dos seus que seguiram nesta jornada.

monumento à Erik na Groenlândia

estátua de Leif Ericsson

Quatro anos mais tarde, em 986, ele finalmente conduziu uma esquadra de vinte e cinco knorrs até a Groenlândia. Lá, ele se radicou na região sul, que ficou conhecida como Colônia Oriental (por ser mais perto da Europa). Fundaram a cidade de Gardar e a vila, ou fazenda de Brattahlid, da qual Erik se tornou o chefe. Aos poucos foram chegando mais pessoas e a Groenlândia foi sendo povoada. A cidade de Gardar chegou a ter uma Catedral, um Mosteiro Beneditino, um Convento de monjas e doze Paróquias. Mais tarde, mas ainda no século X, foi edificada mais a noroeste a chamada Colônia Ocidental, mas nela só havia o pequeno povoado de Gothabfjord.

No ano de ocupação da Groenlândia por Erik, o Vermelho, e seus seguidores, ou seja, 986, um navegador Norueguês chamado Bjarni chegou à Islândia dizendo que havia avistado terras além da Groenlândia. Ninguém acreditou nele. Todos achavam que ele estava mentindo, ou que havia visto alguma parte da Groenlândia que não era habitada. Mesmo assim, o boato se espalhou pelos povos da Islândia e, sendo assim (pois estes povos povoaram-na), chegou à Groenlândia.

No início, todos duvidavam e questionaram sua lucidez, não dando muita importância para suas afirmações. Mas o filho mais velho de Erik, o Vermelho: Leif Eriksson, começou a se interessar pela história de Bjarni ( Erik+son, son em inglês=filho, filho de Erik).

Ele reuniu um grupo de aventureiros, em 999, e partiu rumo ao desconhecido, para ver se encontrava a tal terra de que Bjarni falara.

Por volta do começo do ano 1000, ele e seus homens avistaram terras. Eram muito frias, cobertas de gelo, por isso ele as batizou de Helluland (em alusão a Hel, o inferno gelado de Ásatrú). Tratava-se da atual ilha de Baffin, no Canadá.

Leif Eriksson tinha boas noções de navegação e sabia que não existem terras sem fim, por isso, se havia terras naquele ponto, com certeza haveria também mais abaixo, onde o frio era menos intenso. Sendo assim ele resolveu costear a terra encontrada, rumando para o sul. Alguns meses depois ele encontrou mais terras, desta vez, terras cheias de árvores, mas sem nenhum sinal de povoamento. Ele chamou o lugar de Markland (em alusão ao fato de aquele lugar ser um marco para sua expedição), e o tal lugar consistia na atual península do Labrador.

Leif não quis voltar ainda para a Groenlândia, pois quis ir mais para o sul. Nesta viagem, ele encontrou terras mais quentes e com sinal de povoamento. Resolveu então desembarcar e fazer contato com os habitantes do lugar.

Os Nórdicos eram muito claros (loiros ou até ruivos), e Leif Eriksson havia acabado de encontrar índios norte-americanos, era natural que ele os achasse diferentes, por isso os batizou de Skraelings, que quer dizer feios.

Naturalmente, a viagem havia sido desgastante e Leif Eriksson e seus homens resolveram montar acampamento para passar alguns meses antes de voltar para a Groenlândia. Neste tempo, eles conviveram com os nativos, e sua convivência foi pacífica. Eles trocaram tecidos vermelhos por peles e couros de animais e, quando retornaram à Groenlândia, contaram a História dizendo que o lugar era maravilhoso. Batizaram-no de Vinland (terra das vinhas), para atrair pessoas para o novo povoamento.

Ainda no ano 1000, Leif Eriksson retornou à Vinland e fundou a cidadezinha de L’Anse-aux-Meadows, com cerca de trinta pessoas entre homens, mulheres e crianças. Depois retornou à Groenlândia (ainda no ano 1000) para buscar mais pessoas, mas soube que seu pai havia morrido e que ele precisava assumir a vila de Brattahlid em seu lugar.

Devido a este imprevisto, Leif Eriksson abandonou o projeto de povoar Vinland, e nunca mais foi para L’Anse-aux-Meadows. Mesmo assim, continuaram a ir knorrs carregados de pessoas para lá, até o ano 1003, mas depois pararam, pois a própria população da Groenlândia já era escassa.

regiões povoadas pelos vikings por volta do ano 1000

Por volta de 1009, a população de L’Anse-aux-Meadows beirava as duzentas ou trezentas pessoas, mas começaram a ocorrer duas crises no local.

A primeira era de ordem econômica, pois como não iam mais knorrs para lá há seis anos, estavam começando a faltar coisas como tecidos, gado e produtos que a região não tinha condições de produzir. Além disso, os indígenas, antes amigáveis, estavam agora exercendo muita pressão sobre os Vikings para que estes trocassem com eles suas armas por peles de animais, coisa que os Vikings não queriam fazer, para não armar os possíveis inimigos de amanhã.

O clima entre os Vikings e os Skraelings ficou cada vez mais tenso nos três anos subseqüentes, até que, em 1012, os índios atacaram L’Anse-aux-Meadows, mataram todos (ou pelo menos a grande maioria) de seus habitantes, queimaram ou destruíram a maioria das casas (algumas sobreviveram e foram encontradas, junto com resquícios de cerâmicas Vikings, em escavações realizadas em 1962, o que provou de fato a existência de Vinland) e assim puseram um fim às pretensões dos Vikings de colonizar aquilo que viria a ser a América.

A Groenlândia continuou a enviar knorrs à Markland para pegar madeira até 1035. Depois, as terras descobertas no ocidente começaram a se tornar inviáveis economicamente e, por isso, foram abandonadas até caírem no esquecimento inclusive do próprio povo da Groenlândia. Com o passar do tempo, ocorreu um fenômeno que conferiu o resfriamento gradativo e contínuo das terras da Groenlândia, outrora mais prósperas e com isso, o seu povo acabou sendo reduzido, seus animais, suas culturas e podemos perceber nos restos mortais encontrados no território que a arcada dentária dos nórdicos que povoaram a Gronlândia, possuíam uma dentição muito melhor do que os últimos que sobreviveram na região. A dentição é um sinal claro da perda das condições favoráveis de clima e do seu resfriamento.

O que se pode presumir pelo que ocorreu com este povoado, é que tenham encontrado a região da Groenlândia mais próxima à Europa do que se encontra atualmente, visto que as condições mais favoráveis para o clima só seriam possíveis se esta região estivesse mais próxima à linha tropical e não à linha do Círculo Polar como se apresenta.

É uma questão que precisa ser melhor entendida e assumida pela classe evolucionista da ciência, pois deste modo, uma região pode se deslocar em processo de afastamento em um tempo geológico muito menor do que convencionalmente é assumido.

Hoje, toda a região da Groenlândia se apresenta com gelo em sua superfície e não com as florestas tropicais encontradas por Erik e seus familiares.

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