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Inundação

Na atmosfera da Terra, nós temos sobre nossas cabeças uma quantidade muito significativa de água em forma de vapor. Este volume imenso se precipita diariamente na queda de aproximadamente 18 milhões de litros de água em toda a Terra.

Na verdade o planeta poderia ser tratado como planeta Água e não planeta Terra, pois as águas cobrem aproximadamente 70 % de sua superfície. Para termos idéia da quantidade de água existente, se a dividissemos pelo número de pessoas que nele habitam, teríamos um cubo imenso com 46 metros de altura para cada habitante.

No entanto, as águas que caem nas precipitações pluviométricas é algo insignificante quando comparado com o seu volume total. Cerca de 0,002 % do volume total de água no planeta irá se precipitar em forma de chuvas.

O solo possui características que permitem a sua absorção. Quando nas suas condições primitivas, por exemplo: regiões de mata tropical têm capacidade natural de absorver cerca de 180 mm/h de água (cada mm representa um metro cúbico). Nas cidades, uma chuva com 46 mm em uma hora já pode causar enchentes. As precipitações superiores à 180 mm/h na mata nativa não são comuns, o que raramente conferia inundação nas áreas de baixo relevo geográfico.

O povoamento conferiu mudanças significativas nesta condição da superfície terrestre, fazendo com que áreas propensas à inundação em decorrência de sua forma de relevo, seja pela apresentação como bacia, seja pela presença de rios tributários e leitos de rios margeados pelo asfalto, seja pelas edificações realizadas nas nascentes, tenhamos propiciadas as possibilidades de inundação como conseqüência natural quando da impossibilidade do solo de absorver as águas das chuvas.

É por este motivo, que temos a ocorrência de inundação nas cidades tão somente pela precipitação pluviométrica de apenas 46 mm/h de chuva. A má absorção, ou a sua impossibilidade acaba promovendo a ausência de seu elemento principal nos aquíferos (depósitos subterrâneos preenchidos por água, formados por arenito sedimentado e coberto por lava). Isso acaba permitindo a perda de água ao longo do tempo nos depósitos aquíferos e conseqüentemente a perda de minas e fontes d'agua para diversas regiões.

Como o Brasil é um país favorecido pelo seu relevo e pelo histórico de sua geologia, ele possui uma diversidade tão expressiva de fontes e minas que as atenções sobre o seu comprometimento não são creditadas e isso acaba conduzindo à uma danificação com o advento das culturas agrícolas borrifadas por agrotóxicos, instalação de cemitérios, postos de combustível, poluentes minerais e líquidos em regiões muito próximas aos aquíferos, comprometendo sua composição.

Estas mudanças realizadas pelo Homem principalmente com as edificações e o asfaltamento, alteram o que seria um ciclo de chuvas para determinadas regiões, onde não devemos esquecer dos problemas trazidos também pelo desmatamento.

Alterados os seus ciclos, passamos a perceber outra forma de sua condição, uma vez que a incidência de correntes marinhas e massas de ar permanecem, confrontando-se e chocando-se com características semelhantes à que se percebia anteriormente, mas diferenciadas principalmente no volume de umidade. Esta nova condição do relevo que confere redução substancial de evaporação e ao mesmo tempo a redução de sua absorção, acabam permitindo que os ciclos de chuva sejam alterados nos climas até então definidos.

Deste modo, temos de aceitar como parte do resultado do povoamento descontrolado, as alterações climáticas que percebemos com muita facilidade em qualquer parte do país.

A razão expressiva destas alterações, deve ser relacionada com o fato de que mesmo regiões com cultura planejada e grande extensão de terras de plantio, não conseguem absorver a mesma quantidade de água que a mata nativa. Apenas para exemplificar, uma fazenda que tenha cultivado intercaladamente ou não as culturas de soja/milho por vinte anos consecutivos, não terá mais do que 8 mm/h de capacidade para absorção. Deste modo se explica a devastação percebida quando das enchentes em áreas de plantio causando a perda substancial dos produtos cultivados.

É preciso ainda diferenciar os ciclos que incidem sobre as regiões brasileiras onde são observadas incidências pluviométricas diferenciadas entre si, mas que causam enchentes em áreas diversas de uma metrópole como São Paulo, e as que ocasionam inundações consideráveis em grande número de cidades do mesmo Estado.

A primeira ocorre com índices pluviométricos acima ou em torno de 50 mm/h atingindo até 100 mm no mesmo dia. Causa enchentes por razão dos problemas de escoamento e falta de manutenção da calha dos rios Tietê e Pinheiros na cidade de São Paulo, po exemplo. Qualquer das razões que favoreçam a sua ocorrência podem trazer este evento climático para cidades e grandes metrópoles ao agravar o problema do escoamento, tais como o entupimento de bueiros, inserção de folhagens, papel, plástico, pneus, mobiliários, etc, que podem trazer danos ao sistema de drenagem e escoamento das águas fluviais contribuindo sistematicamente com o problema das enchentes.

A segunda se diferencia pela elevada ação pluviométrica com índices superiores à 100 mm/h atingindo registros de até 240 mm no mesmo dia e índices considerados como elevados devido à mais de 350 mm na mesma semana. Esta incidência diferenciada têm ocorrido no território brasileiro com a presença de um elemento incomum que é a massa de ar frio estacionária. Esta massa de ar frio permanece sobre uma área extensa do território e se desloca lentamente ficando estabelecida sobre praticamente um ou mais Estados inteiros por mais de um mês, movimentando-se de Sul à Norte chegando a demorar até um ano ou mais para completar o seu ciclo que pode ou não se repetir mesmo durante o período de atividade. Este período cíclico está intercalado em épocas que duram dois a três anos, mas que ao longo do tempo, têm promovido alterações no seu comportamento, contudo, não deixa de ser possível a sua observação periódica.

Esta apresentação diferenciada têm causado inundações significativas ao Brasil e se diferencia das atividades pluviométricas temporãs porque acrescenta volume expressivo desta massa de ar e ocasiona inundações sobre uma vasta área de maneira seqüenciada. Inicia-se pelos Estados do Sul e segue para os Estados do Sudeste, demorando muitos meses até atingir os Estados do Centro-Oeste ou Nordeste brasileiro. Dependendo da ação maior das massas de ar do Pacífico Sul ou do Atlântico Sul, temos o deslocamento desta massa de ar para uma ou outra região.

Uma diferenciação entre as formas de apresentação das chuvas precisa ser mencionada, pois costumeiramente existe o co-relacionamento entre as suas diferentes incidências tornando uma ação maior equivalente à outra muito menor e dará uma conotação generalizada para seus registros, dificultando a interpretação de suas apresentações e o compreendimento de existência de um estado cíclico.

As chuvas se dividem nas atividades desenvolvidas pela ação Convectiva, Frontal e Orográfica.

A primeira é caracterizada pela apresentação curta, mas de grande intensidade, sendo muito comum no solstício de verão.

É resultado da elevação das massas de ar quente formando um corredor vertical e produz quantidade numerosa de raios e ventos locais. São formadas pelas células convectivas (massa de ar quente na superfície terrestre), que ascendem com volume expressivo de ar quente para as camadas superiores da superfície. Ao subir, esta massa de ar quente promove o deslocamento das massas de ar presentes em forma de nuvem para as laterais, formando um imenso cogumelo com dezenas de quilômetros de diãmetro.

Se atingirem altitudes muito elevadas e adquirirem elevado valor cinético de energia, darão forma ao granizo tropical, grande atividade de energia interna na forma de raios, turbulências e ventos verticais, que produzem nuvens sonoras, cheias de tempestades e relâmpagos, com a atração magnética produzida pela superfície terrestre atraindo os raios. É muito difícil para qualquer aeronave realizar a travessia por elas, tendo a possibilidade de conflito de dados nos sistemas de computação de bordo.

A segunda é uma chuva de intensidade muito menor, porém de duração prolongada chegando a incidir sobre uma localidade por vários dias consecutivos, alternando entre chuviscos e incidênica mais expressiva. Sua relação com as características climáticas do solstício de inverno são a de um favorecimento para a sua ação, pois as massas de ar frio se apresentam mais avolumadas e sofrem menor incidência de fenômenos como as massas convectivas de ar quente. Elas incidem sobre uma região expressiva, podendo em muitos casos cobrir mais de um Estado brasileiro ao mesmo tempo. Também produzem quantidade numerosa de raios e ventos com rajadas de até 70 km/h havendo registros de até 120 km/h nos Estados do Sudeste brasileiro, região em que ocorrem com maior freqüência.

Sua formação é devida ao encontro entre duas massas de ar com diferentes razões térmicas, sendo uma quente e úmida vinda com o auxílio da Corrente Primária do Atlântico Sul (CPAS) que gira em sentido anti-horário e lança sobre a costa brasileira uma massa de ar quente do perímetro magnético (área mais aquecida do oceano, presente na região do Equador); a outra têm origem nas massas de ar frio presentes na Bacia da Argentina, que se apresentam na Corrente Secundária do Atlântico Sul (CSAS) e que gira em sentido horário. Esta massa de ar frio ainda pode ser auxiliada pela invasão da massa de ar frio proveniente da Corrente Primária do Pacífico Sul (CPPS), que gira em sentido anti-horário e lança uma massa de ar frio para o Continente Sul Americano desde as regiões do extremo sul continental para se chocar contra a massa de ar quente da CPAS.

Quando a massa de ar quente estiver com velocidade expressiva (superior à 70 km/h) e se encontrar com a massa de ar frio da CPPS, ela acaba dando origem à uma Tempestade Tropical, Tornado ou Furacão nos Estados do Sul e Sudeste brasileiro. Isso se deve ao fato de que as diferentes razões térmicas ainda serão favorecidas pelo encontro entre duas massas de ar com o mesmo sentido de giro, que se chocam causando uma terceira massa de ar que girará em sentido oposto (horário). Todas as formas de Tornados, Ciclones, Furacões, Tempestades Tropicais e Tufões giram em sentido horário no Hemisfério Sul e anti-horário no Hemisfério Norte.

A massa de ar quente ascende contra a massa de ar frio que vêm em uma descendente. A massa de ar quente é menos densa e tende a subir, chocando-se contra a massa de ar frio que é mais densa e tende a descer. Quando a umidade relativa da massa de ar quente for elevada, a chuva será iminente. A intensidade dos raios, rajadas de vento e mesmo o volume pluviométrico observado nesta ação terá como fatores de desencadeamento como a umidade, temperatura , velocidade e volume de suas massas, os elementos essenciais para sua ocorrênia maior ou menor. É muito comum também a ação de frentes frias que não necessáriamente causam chuvas, pela ausência de uma massa de ar quente e úmido que favoreça sua atividade. Portanto os dois fatores precisam estar associados para a ocorrência, sem o que, temos a presença de condições extremas de ventos frios e nem por isso teremos a presença de chuvas.

As chuvas Orográficas são causadas pela forma de nuvens mais densas e que estão submetidas às condições de relevo, tais como montanhas, regiões serranas, etc. Elas são deslocadas em razão das forças dos ventos e acabam sendo lançadas à maiores altitudes. Ao ser lançada para altitudes elevadas, ela perde a sua forma compactada desenvolvida com as suas condições térmicas (mais fria) e ao ser lançada para cima acaba expandindo pela menor pressão atmosférica e condições térmicas ainda menores (mais fria ainda), dissipando pelo calor perdido a sua capacidade de conter a umidade gerando nuvens que trarão incidência pluviométrica.

As formas elevadas de apresentação de chuvas torrenciais para regiões montanhosas é devido à esta condição e associação de fatores. Terá um agravante quando do encontro com uma das duas apresentações anteriores, pois a sua proximidade com o solo favorece as descargas elétricas promovidas pela carga elevada de energia presente nas nuvens em atividade.

Mencionadas as diferentes formas de apresentação das atividades pluviométricas, as condições de relevo serão fatores primordiais para que uma área seja prejudicada com uma inundação enquanto que outra não terá a mesma ocorrência.

Muito embora seja um fator lógico, nem todas as regiões de baixo relevo podem produzir os efeitos de uma inundação, isso porque pode existir uma vazão do fluxo de água para declives e encostas suficiente para evitar a sua percepção. Deste modo, nem mesmo uma incidência superior à 70 mm/h pode ser suficiente para causar uma enchente em uma região de bacia, devido ao seu escoamento, contudo, será suficiente para que se possa perceber outro fenômeno, a Enxurrada.

Mas é evidente que regiões de baixo relevo geográfico, principalmente as que contém rios, lagos, córregos e baixios de relevo estão mais suscetíveis à uma enchente principalmente nas cidades, porque todo o volume pluviométrico tende a descer e se acumular nestes locais.

Uma enchente se diferencia da denominada inundação por razões psicológicas, mas suas conseqüências são muito próximas pelos efeitos trazidos pela elevação do nível de rios e lagos, ou pelo acúmulo de água fluvial em regiões de baixo relevo. Mas uma inundação têm como característica o agravamento com uma área de cobertura muito maior, chegando a atingir não apenas regiões extensas, como também áreas incomuns para este tipo de evento climático.

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