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ESFERAS DE PEDRA

Na década de quarenta, um empreendimento realizado pela United Fruits Company, pretendeu desmatar uma extensa área no Delta do Diquis ao sul da Costa Rica para a plantação da bananeiras. O trabalho conferiu a descoberta de fabulosas esferas de pedra perfeitamente polidas e com exatidão de medidas. A área se extende desde a região do delta do Rio Térraba, também conhecido como o Sierpe, Diquís e Rio General, próximas das cidades de Palmar Sur e Palmar Norte. Estas esferas são conhecidas desde o norte, Vale Estrella ao sul na boca do rio Coto Colorado. Elas foram achadas originalmente perto de Golfito e na Isla del Caño.

Arqueólogos e pesquisadores passaram a desenvolver pesquisas de campo nas proximidades o que acabou resultando em mais de uma centena de esferas com medidas variadas desde uma polegada a até 2,5 metros de diâmetro e cerca de 17 toneladas. A arqueóloga Doris Stone foi para o local tão logo descoberto em 1940, publicando seus resultados em 1943 no American Antiquity, o mais importante periódico sobre arqueologia nos EUA, seguida pelo pesquisador e arqueólogo Samuel K. Lothrop, mas nenhum deles conseguiu encontrar vestígios ou qualquer evidência que apontasse para os autores destes trabalhos. Em 1948, Lothrop publicou um registro que seria finalizado em 1963 com 186 esferas de pedra na Costa Rica, mas já se entendia que o número era maior pois apenas em uma localidade foram encontradas 45, hoje dispersas pelo país.

Samuel Lothrop elaborou um dos estudos mais completos sobre estas esferas de pedra. Registrou em sua pesquisa a disposição encontrada em sua época, localidade e quantidade. Segundo ele, "uma esfera de 6 pés (~1,8m), pesa aproximadamente 7,5 ton.; uma esfera de 4 pés [~1,2m] 3 toneladas e uma de 3 pés [~0,9m] tem o peso de 1,3 toneladas" (1963:22). O maior peso de uma esfera gira em torno de 17 ton. com cerca de 8 pés (~2,5m).

A elaboração perfeccionista imprime uma técnica extremamente apurada, visto que a confecção de uma forma esférica não é algo que se consegue obter com muita facilidade. A melhor das suposições apontam para a associação destes materiais a sítios arqueológicos pré-colombianos, mas sem definir a autoria, se para seus povos ou culturas anteriores.

São constituídas em sua quase totalidade de granodiorito, uma pedra dura e ígnea que aflora nas montanhas próximas de Talamanca (uma cadeia de montanhas que se estende na região centro-sul até o Panamá do Sudeste do país). Há alguns poucos exemplos feitos de coquina, um material duro semelhante a pedra calcária que é formada de concha e areia em depósitos de praia. Elas foram provavelmente trazidas para o interior da boca do delta de Térraba-Sierpe. (a imagem acima é uma fotografia da superfície de uma bola de pedra em Palmar Sur, Costa Rica).

Em alguns locais, elas estavam posicionadas em ordem perfeita conferindo formas geométricas como triângulos, paralelogramos, alinhamentos, consistindo em retas e linhas curvas. Um grupo de quatro bolas foi encontrado organizado em uma linha orientada ao norte magnético. Infelizmente tudo isso foi alterado seja pelos agricultores, seja por aventureiros que se intitulavam caçadores de tesouros e explodiam as pedras com dinamites para procurar materiais preciosos em seu interior. Evidentemente nada foi encontrado, mas muito foi destruído e principalmente removido de seu posicionamento original.

Estudos apontam para a confecção dos trabalhos por meio do desgaste reduzindo pedregulhos redondos a uma forma esférica através de uma combinação de fratura controlada, entalhamento e lixamento. O granodiorito do qual elas são feitas esfolia em camadas quando sujeito ao choque térmico. As bolas poderiam ter sido desbastadas pela aplicação de calor (carvão quente) seguido do frio (por água fria). Quando estavam próximas da forma esférica, eram mais reduzidas entalhando e martelando com pedras feitas do mesmo material duro. Finalmente, elas foram lixadas e polidas até um grande lustre.

Para a infelicidade da ufologia, isso não requer conhecimentos e empreendimento de tecnologias ultra-modernas, assemelhando-se ao que se utilizava para fazer machados de pedra polidos e estátuas de pedra, ou seja, sem auxílio de raio laser ou ajuda extraterrestre.

De qualquer modo, vale atentar para o fato de que em nenhum outro lugar do planeta se fez uso da forma esférica em pedras ígneas nem mesmo em material extremamente duro como este.

Muita coisa é especulada a este respeito, divagando sobre possibilidades em que não se amparam provas contundentes para suas afirmativas (exceto uma), cogitando-se a possibilidade de que estivessem relacionadas a cultos e rituais sagrados, símbolos para ostentação política, acumuladores de energia, elos astronômicos, e até representações extraterrenas.

A melhor das definições apresenta como prova as gravuras observadas em algumas esferas em que se observa a presença de constelações e galáxias em perfeita disposição.

É sem dúvida a melhor das possibilidades porque se concentra em dois aspectos que devem ser considerados, um deles é o fato de que a elaboração do seu formato exige tecnologia, não importa qual, para sua confecção. Desenvolver sua forma sem relacionar à nada, parece pouco provável quando se observa a dificuldade do trabalho, mesmo porque o próprio conhecimento de uma técnica simples como o choque térmico, requer mais do que a vulgaridade dos trabalhos em pedra poderiam conferir.

A remoção para outros locais pode estar relacionado à sua preservação, visto que a procura ignorante por materiais preciosos no seu interior deflagrou um período em que várias esferas foram dinamitadas ou simplesmente quebradas, cortadas como se vê abaixo.

Ignorar a presença de figuras e gravuras nestas esferas é querer mascarar a presença de culturas adiantadas no passado do continente Americano, principalmente na América Central.

Tão apenas pela sua presença e existência, fica claro que as culturas olmeca, quíchua e zapoteca, que antecederam à Maias, Incas e Astecas respectivamente, teriam sido precedidas por culturas avançadas nas Américas e isso os relaciona ou no mínimo os aproxima ao período da destruição de Atlântida.

Alguns autores especulam e tentam embasar em dados referentes à datação por radio-carbonificação (C-14), onde são coletadas amostras de culturas nas proximidades das esferas e com isso, são apresentadas as datas entre 200 a.C. e 800 d.C.

Esta forma de datação é imprecisa para materiais inorgânicos como a pedra e precisam ser corrigidos com a datação por argônio que confere melhor resultado do que a suposição através de dados correlacionados.

A datação por radiocarbonificação foi empreendida com o intuito de investigar e relacionar os mentores aos "períodos conhecidos" da história das Américas. Na verdade a datação por mais perfeita que possa ser, não pode ser devidamente relacionada à execução do material tão somente por estarem na sua proximidade. A execução pode ser muito anterior e isso só pode ser devidamente esclarecido com a técnica apropriada para a datação em material inorgânico.

Outra dificuldade permanece no fato de que alguns povos que viviam nas Américas principalmente a América Central, praticavam rituais fúnebres com a cremação (incineração dos corpos). Isso impossibilita a arqueologia de encontrar restos mortais dentro do período crematório do continente.

A foto acima ilustra a presença de figuras nas duas esferas, talhadas em relevo após a obtenção do seu formato.

Não apenas o entalhe do relevo nas esferas, mas também a inscrição de constelações e a disposição das estrelas para os hemisférios, estão presentes nas esferas de pedra de Costa Rica.

A disponibilidade das constelações em diferentes posições induz ao entendimento de que os mentores deste trabalho magnífico tinham conhecimento de todos os continentes da Terra, porque só pela visualização de cada um é que se pode obter a posição dos astros para que fossem mapeados nas esferas.

A posição dos astros no oriente é diferente do que temos no ocidente. Enquanto um hemisfério se encontra iluminado pela luz solar, o outro está no período noturno e conseqüentemente visualizando as estrelas, quando o outro hemisfério está neste período, encontrará as estrelas em outra disposição.

Curiosamente as esferas de Costa Rica estão em uma área do continente muito próxima à um observatório astronômico utilizado pelos Maias, o templo de Kukulkán. Este templo astronômico tem um corte na sua face superior que acompanha a extensão da Via Láctea e serviu de referência para a astronomia moderna. Também não por acaso, as diversas referências astronômicas atribuídas aos maias, estão presentes neste continente e nesta região, sendo o conhecimento astronômico nas Américas do período de 200 a.C. a 1.500 d.C, muito superior ao da Europa, visto que eles já sabiam que o Sol era o centro de um sistema solar, com planetas em seu redor, dos quais a Terra era o terceiro. Conheciam Vênus, Mercúrio, Marte, Júpiter e Saturno.

Para se ter idéia da grandiosidade dos conhecimentos destes povos que antecederam a "colonização", o calendário Maia e Asteca eram formados por duas ordens, uma solar e outra lunar, permitindo melhor definição dos períodos de colheita e entre-safra.

Se por um lado o relacionamento de culturas avançadas, elaboração de monumentos não igualados no mundo do mesmo período, conhecimentos astronômicos, etc se tornam inevitáveis, também é inevitável a tentativa de elucidar sua existência com a disposição de sua apresentação inicial.

Devemos ter cuidado com a maneira como podemos interpretar a existência destas esferas de pedra, mas também não devemos ignorar sua confecção ou querer atribuir a povos que sucederam à Olmecas e Zapotecas na América Central, porque os avanços não seguiram em desenvolvimento sucessivo, mas sim em um declínio constante, onde os primeiros empreendedores das edificações foram mais adiantados do que os que vieram posteriormente, tal como no Egito antigo.

Vejo com muita curiosidade as possíveis considerações a serem feitas por uma sociedade futura. Imagino um dia em que vierem a encontrar estes monumentos, sem dúvida conseguirão perceber a grandiosidade do feito, e de maneira alguma pode ser atribuído à natureza. Chegarão à mesma conclusão que atingimos contemporâneamente, a de que no passado histórico da Terra, uma cultura avançada confeccionou estas esferas, vindo a ser sucedida por outras culturas menores e entre elas uma que sem conhecer sua finalidade, quebrava as esferas para tentar descobrir o seu conteúdo. Deste modo o homem teria atingido uma condição e desenvolvimento tecnológico para depois retornar a um estado de selvageria, onde selvagens conviveriam ao mesmo tempo com outros mais adiantados que faziam uso da robótica e diversos meios tecnológicos, podendo até terem atingido conhecimentos espaciais, mas o convívio com os seres selvagens era então inevitável...